Historia e Enquadramento

Até aos anos 50 os porcos que se produziam no Alentejo eram praticamente os porcos pretos alentejanos. O aparecimento das raças precoces, produtoras de mais carne e menos gordura, a alteração dos hábitos dos consumidores para uma alimentação menos gorda, associada ao aparecimento de tecnologias de extracção dos óleos vegetais e de sucessivas pestes suínas, levaram a raça quase à extinção. A produção de suínos alentejanos limitou-se a um grupo restrito de famílias alentejanas que se recusaram a abandonar a raça.

Desde os finais dos anos 80 que um grupo de criadores do porco alentejano partilhava a necessidade de se unirem para conseguirem, alem da recuperação da raça, melhores condições de comercialização e de negociação dos factores de produção através da concentração. As indústrias transformadoras nacionais do Montijo transformavam essencialmente o porco branco de raças precoces, e a logística de transporte para Espanha, onde a indústria de transformação do porco alentejano estava em pleno crescimento, era bastante complicada.

No início dos anos 90 o porco de raça alentejana tinha um efectivo reprodutor bastante reduzido e a Direcção Geral de Veterinária, gestora do LGPS – Livro Genealógico de Suínos mostrou abertura a que alguma entidade ficasse responsável pela gestão da secção raça alentejana do LGPS. Esta foi a oportunidade que o grupo de criadores necessitava para se organizar. Se por um lado conseguiam recuperar a raça, por outro, através de uma identificação conjunta conseguiriam o efeito de concentração desejado.

Assim, a 7 de Junho de 1991 é constituída, com sede em Elvas, a ANCPA – Associação Nacional dos Criadores do Porco Alentejano. Curiosamente, quando se iniciaram as reuniões para a atribuição de funções à ANCPA, outra associação, reclama o mesmo direito. No mesmo ano tinha-se fundado outra associação em Ourique, a ACPA – Associação de Criadores de Porco Alentejano.

Sem conhecimento mútuo que se tinham formado, decidiram manter as duas estruturas pelo facto de possuírem áreas geografias bastante distantes. Desta forma, o efeito de concentração e recuperação da raça era efectuado com maior rapidez, eficiência e eficácia. Para resolver o problema legal da gestão do LGPS – Secção Raça Alentejana, foi formada em 1992 a UNIAPRA – União das Associações de Criadores do Porco Raça Alentejana que era representada pelas duas associações e/ou outras que se viessem a formar.

Foi em 1992 que se começou a estruturar novamente a produção do porco alentejano. Iniciaram-se os registos de animais reprodutores e seus descendentes, e ambas as associações estavam representadas na UNIAPRA para as negociações comerciais com a indústria nacional, com a produção concentrada. O aumento do efectivo verificado até ao final dos anos 90 traduziu-se em dificuldades de escoamento, pelo facto da indústria nacional não ter crescido ao mesmo ritmo da produção. Nesta altura, e com a necessidade de encontrar novos mercados iniciaram-se as exportações para Espanha que favoreceu maioritariamente os criadores da ANCPA. Ao mesmo tempo foi criada na União Europeia um conjunto de protecções com base na certificação de produtos tradicionais que constituíram uma oportunidade fundamental para o desenvolvimento do sector. Rapidamente requer-se a protecção para um conjunto de produtos que após o seu reconhecimento iniciaram a ser produzidos nas indústrias nacionais, com a gestão das mesmas na UNIAPRA e a certificação na ANCPA. Os processos de certificação duraram até 2001, altura em que se faz aplicar em Portugal uma norma de independência das actividades de certificação à produção. Nessa altura a ANCPA desenvolveu um projecto para o arranque de um conjunto de actividades focalizadas exclusivamente para o apoio dos produtores do porco alentejano.

Os principais pilares do crescimento foram:

Em 2001 inicia a actividade de registos de nascimento com melhoria significativa do processo e no final do ano efectua a primeira assistência de montanheira com 3120 porcos;

Em 2002 cria a primeira marca de rações em Portugal com gorduras controladas;

Em 2003 cria o gabinete veterinário;

Em 2004 inicia a comercialização de porcos de carne e salsicharia;

Em 2005 inicia a actividade de biopsias e inicia as reposições de montanheira;

Em 2006 passou a ser posto informático do SNIRA, inicia as reposições de leitões para alfeiros, cria os estatutos da futura sociedade comercial, e está activa na construção do projecto de fileira. Associa o seu nome a produtos transformados.

Em 2007 é reconhecida como entidade reconhecida para assistência ao modo de produção biológica. Negoceia com a banca várias linhas de crédito bonificado e outros produtos financeiros. Inicia um conjunto de iniciativas com o objectivo da normalização e regulamentação do mercado.

Em 2008 efectua parceria com a Direcção geral de Veterinária na gestão do Livro Genealógico da secção Raça Alentejana e participa no programa de melhoramento. Cria o primeiro espaço de divulgação sectorial do porco alentejano – Tenda do porco alentejano.

Em 2009 implementa um protocolo de grupo específico para o porco alentejano, para cumprimento do PCEDA – Plano de Controlo e Erradicação da Doença de Aujesky. Participa na criação de uma medida agro-ambiental para a preservação montado enquanto ecossistema produtivo.