Historia

Até ao início do século XX, existiam na Península Ibérica duas grandes populações de porcos. Os Celtas, com origem nos porcos nórdicos e os chamados Ibéricos, com origem nos porcos mediterrâneos.

As duas populações de porcos autóctones referidas, para além de possuírem diferentes origens raciais, também viviam num habitat bastante diferenciado. Os Celtas desenvolviam-se no Noroeste da Península, em bosques do tipo atlântico e zonas de clima suave que resultavam num sistema de alimentação baseado no aproveitamento das ervas, forragens e tubérculos durante todo o ano e aproveitando frutos como a castanha na época de Outono / Inverno. Pelo contrário, no Oeste e Sudoeste da Península os porcos Ibéricos, dispunham de um habitat baseado nos bosques tipo mediterrâneo com grande abundância de azinheiras e sobreiros que lhe conferiam grande disponibilidade de bolotas e landes, durante o Inverno e bastante erva na Primavera, mas com grande escassez de alimentos durante o Verão e o princípio do Outono. Como resultado destas diferenças, desenvolveram-se dois tipos de animais bastante diferentes, sendo essas diferenças bastante acentuadas devido essencialmente aos diferentes sistemas de alimentação das populações rurais das áreas geográficas onde estes animais se foram desenvolvendo. Nos porcos Celtas, a sua produção foi canalizada para a comercialização de carne fresca e produtos de salsicharia, enquanto nos porcos Ibéricos as suas carnes e toucinhos eram canalizadas para produtos curados e de larga duração.


Vários são os autores que nos referenciam a grande importância que este animal atingiu como suporte da alimentação humana, no nosso país, quer como fornecedor de carne para consumo em fresco, quer como fornecedor de matéria-prima para a elaboração de enchidos que mediante vários processos de conservação garantiam o seu consumo durante todo o ano.

Nos finais da década de cinquenta, assistiu-se ao declínio da montanheira e à diminuição do número de porcos, que quase provocou o desaparecimento de algumas estirpes. Para explicar este declínio surgem-nos alguns factores de ordem social, económica, política e sanitária.

 

As alterações dos hábitos alimentares, exigindo carne com menos gordura, a propaganda em detrimento das gorduras de origem animal e o emprego crescente de gorduras vegetais provocam um decréscimo nas matanças e consequentemente o cruzamento incontrolado com outras raças por parte dos criadores.
O êxodo rural no início dos anos sessenta, levou a um aumento de salários que tornou de alguma forma inviável a manutenção dos montados nos moldes tradicionais. Conjuntamente com a quebra dos preços dos produtos florestais e a crescente mecanização, ditou-se a regressão dos montados de azinho e, consequentemente a suinicultura em regime extensivo. A inversão das práticas agrícolas para sistemas de exploração alternativos com o recurso a raças de maiores rendimentos bem como, a introdução de novas variedades de trigo e outros cereais bastante mais produtivos, tornaram-se também num factor desfavorável. Surge também nesta altura um importante surto de Peste Suína Africana que contribuiu ainda mais para o seu desaparecimento.

 

É a partir da década de oitenta que, com o desaparecimento do foco da Peste Suína Africana, e com o facto de a dieta Mediterrânea ser por muitos autores considerada de novo saudável, que começa a surgir um novo interesse nos seus produtos e na preservação e melhoramento da raça.